Grynspan lidera por pouco na sexta pesquisa de opinião
A sexta consulta informal do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), realizada na sexta-feira (16/10), colocou Rebeca Grynspan como a candidata à frente na corrida para o cargo de 10.ª Secretária-Geral da ONU. No entanto, a vantagem da ex-vice-presidente da Costa Rica, de 70 anos, ainda está longe de ser convincente.
Grynspan obteve nove votos “encourage” (mendorong), cinco votos “discourage” (menentang) e um voto “no opinion” (tidak berpendapat). O que preocupa o campo de Grynspan é que dois dos cinco votos contrários vieram de membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — EUA, Rússia, China, França e Reino Unido —, que possuem direito de veto.
Isso significa que Grynspan ainda precisa convencer pelo menos dois dos cinco países com direito a veto antes que o Conselho de Segurança da ONU emita uma recomendação oficial para a sucessão de Antonio Guterres.

Concorrência acirrada e cédulas de voto codificadas por cores
A principal rival de Grynspan, Carolyn Rodrigues-Birkett, Embaixadora da Guiana junto às Nações Unidas, obteve oito votos a favor, seis contra e um abstenção — sendo que dois dos votos contrários vieram de membros permanentes. Rafael Grossi, Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), registrou um resultado praticamente idêntico, com apenas um voto a favor a menos entre os membros permanentes.
Pela primeira vez, esta pesquisa utiliza cédulas codificadas por cores que indicam se o país detentor do direito de veto se opõe a um candidato. O mecanismo torna a contagem mais transparente à medida que se aproxima a fase de definição.
O novo Secretário-Geral precisa de no mínimo nove votos favoráveis dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU e não pode receber nenhum voto “discourage” dos membros permanentes. Como todos os candidatos ainda recebem dois ou mais votos contrários de países com direito a veto, a porta para um novo candidato permanece amplamente aberta.
Grynspan: ONU é excessivamente relutante em assumir riscos
Em entrevista à Reuters, Grynspan avaliou que a ONU se tornou “too risk-averse” — excessivamente relutante em assumir riscos — e expressou concordância com o Embaixador dos EUA, Mike Waltz, sobre a necessidade de reformar a burocracia da organização. Ele apontou seu papel nas negociações da Iniciativa de Grãos do Mar Negro (Black Sea Grain Initiative) em 2022 como um exemplo da diplomacia discreta que poderia levar ao cargo de Secretário-Geral.
Grynspan reafirmou que a disputa ainda não terminou e lembrou que novos candidatos ainda podem entrar na corrida a qualquer momento.
Em caso de vitória, Grynspan entrará para a história como a primeira mulher a liderar a ONU nas oito décadas de existência da organização.
Desafios pesados aguardam o próximo secretário‑geral
O Conselho de Segurança da ONU tem menos de três meses para escolher o sucessor de Antonio Guterres, cujo mandato termina em 31 de dezembro. Quem for eleito enfrentará desafios pesados: uma série de guerras em curso, o corte das contribuições dos EUA à ONU, além da queda da relevância política do organismo internacional após Washington sair de dezenas de suas agências.
No meio da crise existencial da ONU, a próxima pesquisa de opinião determinará se Grynspan será capaz de passar da posição de liderança a se tornar a verdadeira vencedora.










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