Ouvidoria anuncia investigação sobre a escassez de combustíveis
JAKARTA — A escassez generalizada de combustível (BBM) que se espalhou para diversas regiões agora é motivo de séria atenção do Ombudsman da República da Indonésia. O órgão fiscalizador dos serviços públicos anunciou que realizará uma Investigação por Própria Iniciativa (IAPS) para desvendar as causas raiz da escassez de combustível, relatada em 11 províncias.
O anúncio foi feito pelo membro do Ouvidor-Geral da República Indonésia, Abdul Ghoffar, em coletiva de imprensa na sede do Ouvidor, em Jacarta, nesta quarta-feira (14/10/2026). O Ouvidor também enviou a Equipe de Resposta Rápida (RCO) para Bali e acompanha a situação no terreno por meio de suas 34 escritórios regionais.
“Nós iremos às ruas”
“Ombudsman irá a campo realizar investigações para verificar se há alguma desconexão entre as políticas do governo central e a realidade no local”, disse Abdul Ghoffar.
25 Relatórios de Escassez de Combustível em 11 Províncias
Com base nos dados de monitoramento de 13 de outubro de 2026, a Ouvidoria já recebeu 25 relatos de escassez de combustíveis. Onze províncias foram mencionadas explicitamente: Bali, Papua Ocidental, Banten, Kalimantan Ocidental, Sumatra Ocidental, Sumatra Setentrional, Sulawesi Ocidental, Sulawesi Setentrional, Sulawesi Meridional, Aceh e Java Ocidental.
A situação no local é bastante preocupante. Em Aceh e Bali, foram reportadas filas de veículos com mais de 1 quilômetro, com tempo de espera superior a 3 horas. Em várias outras províncias, as filas variam entre 300 e 700 metros, com tempos de espera de 2 a 3 horas. Em Bali, as filas chegaram a ter mais de 24 horas de duração. Também foram reportados esgotamentos do estoque de Diesel (Solar) e Pertalite em diversas regiões.
Indícios Iniciais: Logística até as Acusações de Desvio
O Ouvidor identificou uma série de indícios iniciais sobre as causas da escassez. Em primeiro lugar, entraves logísticos e de distribuição, como atrasos nos envios e no processo de carga e descarga. Em Bali, o atraso das embarcações no Terminal de Combustíveis Manggis foi apontado como um dos fatores desencadeantes, enquanto na Sulawesi Ocidental houve atrasos nos envios provenientes do depósito de Parepare, na Sulawesi do Sul.
A segunda indicação é a incompatibilidade entre as necessidades reais, as cotas e o fornecimento de combustíveis. A terceira é a suposta má utilização dos combustíveis subsidiados, como práticas de "pelangsiran", tanques de veículos modificados e até a mudança de consumidores não subsidiados para o diesel subsidiado, descobertos em Sumatra do Sul. A quarta é a limitação da capacidade de atendimento das estações de serviço (SPBU), desde os horários de funcionamento até o número de bicos de abastecimento.
“Em relação à possível redução das cotas, com base nas informações preliminares obtidas pela Ouvidoria, a cota nacional ainda está segura até dezembro”, disse Ghoffar.
Ouvidor solicita avaliação das cotas; resultados da investigação em dezembro de 2026
O Ouvidor solicitou ao Ministério de Energia e Recursos Minerais (ESDM) e à Agência Reguladora de Petróleo e Gás (BPH Migas) que avaliem os dados sobre a demanda e as cotas de combustíveis por região. A Pertamina e a Pertamina Patra Niaga também foram instadas a ser transparentes quanto aos cronogramas de abastecimento, recuperação dos estoques, horários de funcionamento e capacidade dos postos de gasolina. As autoridades policiais foram solicitadas a dar prosseguimento às suspeitas de uso indevido dos subsídios de forma profissional e transparente.
Segundo Ghoffar, as longas filas por combustível têm impacto na perda de tempo produtivo, nas perturbações às atividades econômicas e até nos riscos à segurança do trânsito. O fardo mais pesado é sentido pelos motoristas de transporte público, pelos empreendedores de micro e pequenas empresas (MPE), agricultores, pescadores e pela população das áreas periféricas. Os resultados oficiais da investigação serão divulgados ao público com transparência em torno de dezembro de 2026.









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